domingo, 13 de maio de 2012

World Nutrition Rio2012: mobilização

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Depois da plenária, abre-se o leque de opções para a escolha de diversos assuntos no tema da nutrição e saúde coletiva. E a cada dia que passava, ia ficando mais difícil escolher o melhor tema.
"Como tornar efetivas as organizações de interesse público em alimentação e nutrição" foi um simpósio elaborado com o objetivo de repartir experiências interessantes de intervenções dessas organizações nas políticas públicas. 
Kelly Brownell, do Yale Rudd Center For Food Policy and Obesity, realiza uma palestra baseada no conceito de "ciência estratégica". Sabemos que a serventia da pesquisa é a descoberta de inovações e alternativas que proporcionem mudanças positivas na vida das pessoas. No entanto, na vida real, isso é o que menos acontece. Geralmente, os pesquisadores têm como grande objetivo uma publicação científica. Na ciência estratégica, o que se busca é a repercussão e o impacto do que é verificado através das pesquisas. Logo, o resultado de uma pesquisa deve atuar na opinião pública, no governo e na legislação aplicada por ele, na indústria e na imprensa. 
O site da organização é bem legal, possui diversas publicações disponíveis, mas tenho que destacar esta notícia que li aleatoriamente. A notícia comenta que a PepsiCo. efetua desconto de 50 dólares no salário dos funcionários que fumam ou que tem doenças relacionadas à obesidade. Eu acho que a Pepsi não se perguntou primeiramente o que eles produzem e o que eles já descontam na saúde de milhões e milhões de consumidores. 
Aproveitando que achei aqui este tópico, também vou colocar este link que leva ao pledge brasileiro. Pledge é um acordo voluntário de indústria e publicidade que indica restrições na propaganda de determinados produtos nocivos à saúde das pessoas, especialmente das crianças, que são muito influenciadas por estas estratégias e, portanto, as mais prejudicadas. Só que um pledge é algo voluntário, ou seja, não credite que a empresa está cumprindo estes acordos, é pura fachada para se dizer de bom moço, e pra dizer que tem a tal 'responsabilidade social'. 
E o marketing é a lama (ou a alma) do negócio. O site Cereal FACTS observou que as empresas fazem propagandas mais massivas dos produtos com o pior perfil nutricional. Aliás, o site fornece um apanhado muito interessante de informações sobre os diversos cereais que são comercializados nos Estados Unidos, com fichas que discriminam informações nutricionais importantes de serem observadas, tais como teor de açúcares simples e sódio, além de informações sobre propaganda na TV, disponibilidade nos mercados, presença de brinquedos ou associação a imagens nas embalagens desses produtos. Aqui segue um link de um artigo da Pediatrics que foi mostrado na palestra, que fala um pouco dessa escolha das crianças pelos cereais, e o que foi observado é que crianças que consomem cereais com maior conteúdo de açúcar, consomem menos frutas em acompanhamento a este cereal e o consomem em maior quantidade.

Patti Rundall traz como tema a mobilização no tema da nutrição materno-infantil, fortalecendo o incentivo ao aleitamento materno e mostrando os riscos implicados na alimentação artificial. Representando a Rede Internacional de Ação em Alimentação Infantil (IBFAN) e a Baby Milk Action, Patti discute principalmente o interesse comercial que envolve o mercado de fórmulas infantis, encabeçado pela Nestlé.
O leite artificial é divulgado desde 1867 por esta empresa, e desde então várias estratégias foram pensadas para fazer a população acreditar que o leite de vaca em pó é melhor que o leite humano. Antes da crianção dos códigos de comercialização de substitutos do leite materno, a indústria distribuía suas amostras grátis em maternidades (prática muito comum no Brasil até a década de 70), e chegaram a patrocinar clínicas, realizando a separação proposital das mães dos recém nascidos.
A Nestlé ganha 31 bilhões de reais por ano com fórmulas infantis. Assim, fica claro entender quem realmente ganha com a alimentação artificial. Logo, é uma produção muito lucrativa, sendo dez vezes mais caro que o leite em pó convencional.
Vemos que, mesmo com a existência de códigos de limitação do marketing destes produtos, muitos ainda infringem estes acordos. Vejam esta foto de uma propaganda de leite artificial, que diz 'Qual é o melhor leite depois do leite da Kate?' (o cara bolado é o marido da Patti, haha!).
A autorregulamentação, tal como já foi discutido, não é saída viável para este problema, pois não diminui o impacto do marketing sobre o público consumidor. E, infelizmente, temos que suspeitar até daquilo que foi feito para nos proteger: metade dos membros do Codex Alimentarius são representantes de empresas. Então, a que interesse estão atendendo?
A Patti foi uma das grandes figuras desse congresso, com muita atitude e vontade de transmitir este espírito reacionário nos participantes.
Adorei a ideia de boicote à Nestlé, porém, vamos ser sinceros. É difícil fazer boicote a uma empresa que tem diversas submarcas, e que nem sempre está expresso Nestlé como marca principal. É um conglomerado, um monstro que nos engole e que monopoliza nossas escolhas alimentares. Mas é um tema a se refletir...

Graham MaGregor traz a experiência da Ação Mundial sobre Sal e Saúde - WASH (@WASHSALT) no incentivo à redução dos níveis de sódio nos alimentos industrializados através de uma estratégica de redução lenta, de 10% ao ano, que não é percebida pelos consumidores. Para isso, é importante que este monitoramento seja feito independentemente das empresas. Graham traz um dado importante: 5 milhões de investimentos em redução de sal pelo governo tem um impacto de redução de 1 bilhão de gastos em saúde pública. Não há dúvidas que a promoção da saúde é um caminho também para a racionalização dos gastos públicos. Todo gestor sabe disso em teoria, mas são muito poucos os que praticam.

No próximo post, mais informações sobre legislação da propaganda.

domingo, 6 de maio de 2012

World Nutrition Rio2012: desafios

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Iniciando os trabalhos com a plenária de abertura "Desafios do século 21 para a Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva", os palestrantes eram convidados a fazer breves observações sobre o tema, de forma a nos fazer refletir sobre quais aspectos deviam ser observados nos próximos dias de eventos.
Eu nunca vi isso acontecer, um evento ter começo, meio e fim. Na maioria das vezes, eles só tem um conteúdo agregado, e só.
Abordando de forma bem resumida as inserções dos palestrantes, e recorrendo às minhas anotações, vou tentar expressar mais ou menos o que foi discutido. A princípio, já peço desculpas se por um acaso a minha interpretação foi distorcida, espero que isso não ocorra.

Marion Nestle é um exemplo do que quero ser quando crescer. Uma pessoa de fala decidida e cheia de propriedade e, mais do que isso, uma pessoa que leva o ouvinte pra frente, com um discurso encorajador. Foi uma honra conhecê-la através deste congresso.
Ela destacou a relação dicotômica que há entre desnutrição e obesidade no panorama mundial, e o quanto isso está relacionado, em termos de intervenção, ao confrontamento do ambiente, com vista a fortalecer a educação dos indivíduos. Ou seja, oferecer aos cidadãos do mundo um ambiente que propicie e facilite a tomada de decisões e escolhas mais saudáveis. Porém, é importante que o nutricionista, sendo o profissional mais interessado nesta transformação ambiental, tenha em mente que este processo envolve o enfrentamento de forças políticas e empresariais que levam diretamente à disputa de poder. O modelo alimentar vigente no planeta atualmente beneficia muitos bolsos. Tem muita gente ganhando dinheiro com as doenças da nossa população, e elas não estão dispostas a perder esta galinha dos ovos de ouro.
Para saber mais do trabalho da Marion, você pode acessar o twitter dela (@Marionnestle) e também o seu site, clicando aqui.

Reggie Annan traz uma contribuição muito importante para o debate. Representando uma das universidades de Gana, ele traz a vivência de um realidade na qual os desafios são muito mais profundos. Na verdade, a África acaba sendo o depósito de todo o desequilíbrio desse sistema alimentar, onde ainda persistem problemas graves, tais como a relação da desnutrição com a infecção pelo HIV, o que leva a um desfecho muito mais desfavorável da doença. Questões ambientais, econômicas, ambientais, culturais, relações de poder... Enfim.
Há muitas políticas desenvolvidas em nível macro, e muitas propostas feitas ao nível das agências relacionadas às Nações Unidas, porém Reggie destacou a ausência de implementação de políticas locais nos vários países da África. A observação das peculiaridades locais, como todos sabemos, é fundamental para fazer qualquer ideia virar realidade.
A nutrição também não é vista como ciência, na mesma extensão que outras áreas como a medicina, e deste modo não é vista como importância. logo, a prioridade para políticas de alimentação e nutrição fica sempre em segundo plano. Por falar nisso, indico um texto incrível que fala sobre a febre de suplementação de vitamina A em países pobres. A artificialização da alimentos e a mera medicalização dos problemas nutricionais é discutida com propriedade neste artigo intitulado The Great Vitamin A fiasco, de Michael Latham.
Os programas de alimentação e nutrição desenvolvidos na África geralmente são levados a cabo com financiamento externo, que dá uma vulnerabilidade muito grande aos mesmos. Acaba o financiamento, acaba o projeto. Logo, são projetos não sustentáveis. Segundo Reggie, portanto, é importante fortalecer o financiamento interno dos projetos desenvolvidos. Algo complicado se a nutrição não é vista com importância, e se os financiamentos externos sempre dizem respeito a um interesse econômico que está obscuro na ajuda de um determinado órgão público ou privado. Voltando a Vitamina A, não há evidências que comprovem que a suplementação em grande escala alcance redução na morbimortalidade de crianças com menos de 5 anos. No entanto, há evidências de que há investimentos pesados de órgãos públicos de países desenvolvidos e de que uma empresa farmacêutica ganha bilhões de dólares com isso.

Philip James já virou ídolo! Uma das participações mais presentes e expressivas de todo o congresso, com toda a certeza! Abaixo um vídeo dele:



Philip salientou na plenária de abertura, dentre outros temas, a importância da abordagem integrada dos problemas nutricionais, tendo como base a agenda única de nutrição.
A mudança no setor alimentar é mais que necessária, em especial na regulação do marketing, e o que ele citou como neuromarketing, informando que o cérebro mantém-se em formação até os 25 anos. Logo, durante 25 anos somos bombardeados por propagandas que nos implantam diversos pensamentos do que é melhor pra nós. Não há nem para mensurar o perigo envolvido nas consequências dessa dominação consumista.
Além disso, as mudanças climáticas provocam mudanças diretas nos sistemas alimentares, e isto só induz ao um aumento das desigualdades sociais entre os povos.

Renato Maluf é economista, professor da UFRRJ, que se colocou justamente neste papel de ser um palestrante fora da área da saúde, para agregar a sua visão aos problemas nutricionais. Também gostei muito de todas as suas colocações ao longo das palestras em que ele estava participando.
Segundo Renato, a crise alimentar se insere no contexto de uma crise sistêmica envolvendo a atividade econômica, o impacto ambiental e as reservas energéticas. Vivemos hoje uma homogeneização de hábitos, em contraposição à diversidade alimentar. Com ela, perde-se em biodiversidade como um todo.
Como os determinantes de um sistema alimentar são os mais diversos possíveis, atingindo os diversos setores de atuação dos governos, é necessário que qualquer intervenção que busque a segurança alimentar e nutricional, baseada no direito humano à alimentação adequada, seja baseada em ações que busquem a intersetorialidade. Esse é um grande desafio, pois os interesses são os mais diferenciados, dependendo do órgão que está envolvido nesta ou naquela política. Associa-se a isso a ausência ca pital humano preparado para levar este tipo de negociação para a frente. vemos que o nutricionista não sai capacitado para este tipo de diálogo, é um profissional que não se pergunta qual o caminho percorrido pela comida que seus usuários compram no supermercado. Não questionam o modelo econômico como fatos impeditivo do alcance da utópica (opinião minha) da Segurança Alimentar e Nutricional.
Outro desafio é a desigualdade na renda, reconhecida por Maluf como o principal desafio para as políticas de alimentação e nutrição no mundo.
O reconhecimento do sistema alimentar local como o melhor caminho para a conquista de uma economia e abastecimento sustentáveis esbarra no poder político implicado neste processo, associado ao controle das influências externas, em especial das grandes transnacionais, que tem passe livre para entrada nos países em desenvolvimento.

Como visto, a plenária de abertura deu aos ouvintes diversas possibilidades de como aplicar suas reflexões durante os simpósios, debates e plenárias propostas. No próximo post, falo sobre as organizações de interesse público interferindo nas políticas governamentais, com a adorável Patti Rundall, de quem também virei fã! No post, vocês vão entender o porquê!

sábado, 5 de maio de 2012

World Nutrition Rio 2012: Impressões

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Depois de tanto tempo afastada deste blog, volto com boas experiências para compartilhar.
Esses meses foram bastante tensos e com muitas atividades. Foi uma correria tremenda para enfim me formar. Pois é, não sou mais uma pacata estudante carioca, mas sim uma pacata nutricionista carioca! Pensei que este momento geraria em mim certa insegurança quanto a minha preparação, o que é normal em todo recém formado. Porém, por outros motivos que não vou partilhar no momento, todo este processo de se tornar profissional foi envolto por uma maturidade que eu não esperava de mim mesma. Não estou segura da técnica, mas estou segura de que este é o caminho certo, e é isso que basta no momento!
Depois de dez meses de grande ansiedade e expectativa, enfim ele chegou. O World Nutrition Rio 2012 foi o meu presente de aniversário do ano passado, e só agora ele se tornou realidade. Um evento que certamente refletiu a competência de seus organizadores, porque realmente correspondeu ao que esperava. Foi um evento quase que estratégico para a minha vida pessoal e profissional, o ponto que faltava para saber quais caminhos optar nesta vida profissional que começa a se abrir a partir de agora.
Como o evento divulgou diversas informações importantes para o nutricionista atuante e preocupado com as questões de saúde pública, acho importante dividir com os leitores as idéias que foram discutidas, sites e materiais para aprofundar a pesquisa. Acaba sendo uma forma pra que eu retorne a estes assuntos, então todos ganham.
Para os brasileiros, foi um orgulho ter esta edição do World Nutrition na UERJ, uma grande instituição de educação superior localizada no coração da nossa cidade, que já formou muitos nutricionistas de grande competência. Foi muito legal ver num local tão próximo da minha realidade e do meu cotidiano repleto de pessoas de todos os lugares do mundo, falando os mais diferentes idiomas, das mais diferentes áreas de atuação.
Especialmente, para mim, foi até emocionante. Há quatro anos atrás, estava eu nesta mesma universidade num evento promovido pelo IMS, um seminário de Saúde Coletiva. Eu cursava o quarto período da faculdade, e vendo aquelas apresentações de mestrado e doutorado, as pessoas que ajudaram a propor o SUS contando as suas experiências pessoais, eu me sentia burra, completamente burra. No entanto, eu me sentia muito bem, muito privilegiada por ter aquela experiência. Eu lembro que eu pensava: ‘caramba, como tem gente inteligente aqui!!’. Ainda estou em plena construção de saberes e idéias (aliás, todos estamos), porém eu sinto que estava preparada para aproveitar tudo o que foi discutido neste congresso em 2012. Talvez não me sinta tão burrinha como antes.
A grande polêmica levantada pelo congresso, desde a sua concepção, foi a ausência de patrocínio ou apoio advindo de empresas privadas de alimentação com as quais há o óbvio conflito de interesses. As parcerias públicos-privadas (PPPs) foram tratadas em muitos momentos do congresso, mas vou deixar pra discutir o assunto nas próximas postagens.
A plenária de abertura contou com a participação de alguns representantes das instituições envolvidos neste evento. Tenho que destacar a fala do reitor da Uerj, na qual ele comentou que a nutrição ajudava a resgatar um conceito dos gregos chamado ‘temperança’, ou seja, uma busca pelo equilíbrio. E, com isso, ele comentou esta atuação do nutricionista na questão de nos ajudar na relação com o corpo e que, com essa busca pelo equilíbrio, nós auxiliamos as pessoas a se manterem saudáveis e belas. Cabe ressaltar que o reitor é psicólogo.
Também destaco as palavras aguerridas e arretadas do representante da Fiocruz, que infelizmente não pude anotar o nome... Ele foi o primeiro que destacou a importância da ausência de conflitos de interesses no congresso, o que demonstrou completo compromisso com a liberdade de expressão das idéias.
Lembram do que o reitor falou? Pois bem. Eis que chega a hora do representante da Unirio, que infelizmente também não anotei o nome. Só sei que este senhor deu uma bela patada indireta no reitor, ao dizer que as questões da nutrição não se resumiam às questões estéticas, mas principalmente a toda a problemática social envolvida nos temas que permeiam a alimentação.
É, pareceu-me que o reitor não leu o release do congresso... Tsc, tsc.
Foi mais ou menos neste clima que se iniciou o primeiro dia dos trabalhos!
No próximo post, falo sobre a segunda parte de abertura.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Estágio: o caminho das pedras

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Há muitos meses não escrevo neste blog. Talvez porque este me exija mais tempo e dedicação. E quem sabe mais seriedade.
E também porque nestes últimos meses a vida entrou num ritmo mais acelerado e mais focado, digamos assim. Tive que investir meu tempo em questões mais vitais não só para os próximos meses, mas quem sabe para os próximos anos.
Quando se chega na reta final, você deixa muita coisa para trás, mas também incorpora muitas outras em sua prática. E algumas prioridades acabam vindo à tona, e nesse processo o coitado do blog acaba sendo o sacrificado. Não era essa a intenção.
Mas agora, sinto necessidade de retornar a fazer as coisas que gosto que, em meio a milhares de atividades, horas ininterruptas de estudo e milhões de preocupações com o futuro ficaram acabando no esquecimento. E uma das coisas que eu mais gosto de fazer é escrever, compartilhar minhas experiências mais comuns e corriqueiras, como se estivesse conversando comigo mesma, de frente ao espelho. Se alguém me lê ou não, é uma mera consequência...
Uma coisa sobre a qual tenho refletido bastante é sobre o estágio. Esta experiência que todo (ou quase todo) universitário tem que ter para completar a sua carga horária. Antes fosse só isso!
Numa profissão como a nutrição, que te exige no mínimo três estágios, esta não é só uma experiência complementar, mas sim uma parte importante da sua trajetória de vida! Para mim, pelo menos tem esse significa, pois nestes últimos dois anos, foram uns 5 estágios eu acho. Em cada um deles aprende-se algo para complementar o seu conteúdo teórico, e muitas outras coisas sobre vida profissional, no seu sentido mais amplo.
Nos estágios, você convive com os mais diversos tipos de profissionais, e aí você fica se perguntando com qual destes tipos você mais se assemelhar daqui a alguns anos.
Há profissionais fantásticos, que não desistem e insistem, mantém a confiança na sua prática, mesmo que não haja o menor apoio logístico e humano. Mas é nadando contra a maré que nasce a admiração. Admiro imensamente estas nutris queridas que apareceram em minha vida, sendo nutricionistas, educadoras, psicólogas, assistentes sociais, amigas, e quantas funções mais aparecerem!
Há profissionais mais que fantásticos, de um domínio técnico absurdo, de uma competência absoluta na produção de conhecimento e na aplicação desse conhecimento no cuidado aos usuários. Simplesmente maravilhosos estes profissionais, e estes me ensinaram duas coisas: que há gente competente na nutrição (não muitos, vamos combinar), e que eu ainda não sei nada de nutrição. Nada mesmo.
Há profissionais que nos envergonham como estudantes. Não fazem o menor esforço para fazer o mínimo. E sobre eles, o que comentar? Não quero ser como eles.
E é mais ou menos por aí que funciona. Você, como estudante, tem que estar preparado para encontrar as mais diversas realidades e o mais diversos modos que os profissionais encontram para lidar com esta realidade. Afinal, é normal que nós procuremos a teoria na prática, que aquilo que foi tão exaustivamente dado nas aulas finalmente tenha alguma aplicabilidade na sua vida. Senão, pra que me mandaram decorar toda aquela pá de coisas?
No entanto, esqueça a teoria por um momento. Tente depreender o que este mano ou esta mana pode te oferecer de prática, de vivência, de olho clínico. Este é o pulo do gato. Pessoas que não te podem dar este tipo de experiência, esquece! Segue o seu caminho, assovia enquanto ela 'faz o trabalho dela', porque honestamente, em nada te vai acrescentar.
Percebo, especialmente na área de clínica, uma falta generalizada da técnica na prática do nutricionista. Isso não é bom, porque cada profissão tem sua 'caixa preta', aqueles procedimentos que as pessoas olham de longe e veem que não é qualquer pessoa que pode fazer. A nutrição clínica está se esvaziando, está perdendo o seu grande e valioso trunfo, que é a avaliação nutricional. Mas, mesmo assim, há que se valorizar a experiência destes profissionais, que mesmo não seguindo aquela receita de bolo que aprendemos na marra, sabem pela vivência. Coisa que você não tem, cara pálida.
Mas vamos ao lado mais crítico da situação, todo mundo sabe que estagiário é mão de obra muito barata, logo, mais que explorada. Isso é um fato! Em alguns lugares, posso dizer que fiz exatamente as coisas que eram de minha atribuição; em outros, ralei feito filha de uma égua; em alguns, conquistei aos poucos uma segurança e assumi responsabilidades que foram importante para a construção da minha maturidade; e alguns lugares me utilizaram de modo incipiente, e desse modo, aprendi pouco.
Sabe onde reside a diferença entre todos esses saldos positivos e negativos destas experiências de estágio?
É porque existem dois tipos de supervisor:
- aquele que te dá suporte e te incentiva a tomar a inciativa de meter as caras, e deixar a observação e passar a aprender pela ação. Lembro-me da primeira vez que me deram uma prancheta na mão e disseram: "Vai lá". Eu aprendi, eu esqueci, eu errei... Eu amadureci e construí uma segurança na minha conduta. Quando me deixaram sozinha, eu assumi a responsabilidade, porque sabia que tinha respaldo. Nesse caso, a experiência é muito boa e te ensina muito mais que mil aulas teóricas. E eu sempre serei grata por este primeiro empurrão.
- e existe aquele tipo de supervisor que só falta dizer, 'já que você está aqui pra aprender, vai lá e faz o meu trabalho por mim?'. Com este, ou você se sente explorada e o aprendizado vem carregado de insegurança e estresse, ou você não aprende nada, porque também não vai ficar fazendo o trabalho dos outros, não é?
É. Situação complicada. Porque você precisa aprender, mas largar-se por aí fazendo aquilo que te dá na telha sem um suporte pode dar uma merda colossal. Porém, tendo uma boa medida de moderação, também é possível tirar alguma experiência boa nestes casos.
Enfim, o estágio é uma experiência declaradamente necessária à sua formação. Ela vai definir o que você quer ser, na teoria e na prática. E é importante que você não apague estas memórias, estas vivências, porque estas vão ser importantes para definir que profissional você realmente vai ser daqui a dez anos. Tome cuidado para não se tornar, por culpa do comodismo, aquele tipo de profissional que nada pôde te ensinar quando você precisava.

sábado, 30 de julho de 2011

Uma barra de cereal tem 100 kcal. E só.

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O ritmo anda frenético. Mil estágios, mil projetos, mil sonhos, mil objetivos.
No meio de tantas expectativas, venho encontrando motivos pra encontrar que há sempre uma saída para se chegar ao ápice da realização profissional: fazer aquilo que realmente você ama e acredita.
Conhecer a trajetória de profissionais que eu admiro, e o esforço inacreditável que eles fizeram para alcançar seus objetivos, são uma inesgotável fonte de inspiração. Se eles conseguiram fazer o impossível, eu também vou conseguir.

Uma querida amiga veio ao Rio de Janeiro por compromissos de trabalho, e quem diria que esse curto encontro renderia tantas coisas boas. Como eu disse pra ela e repito aqui, a conquista que ela obteve é também uma grande motivação pra mim.
Existem mercados e profissões que passam por restrições e diversas questões complicadoras. Amar a nutrição e querer atuar em saúde pública é um grande problema, já que o emprego só aparece na produção. Nada contra a produção, mas pra mim é um local de produção intelectual e simbólica muito rasa... Infelizmente. Acho que as pessoas passam tempo demais em cozinha, muitas vezes sem ver a luz do Sol, e esquecem que há coisas muito mais importantes na vida que um alimento vencido. Esse tipo de mediocridade suga minha energia, e honestamente, se tiver que trabalhar nessa área, que não passe de um ano. Um período maior que esse, em uma área que não é da minha vocação, é perda de tempo vital, literalmente.

Voltando à minha amiga, fiquei feliz porque ela conseguiu se inserir no mercado de trabalho em uma área que poucos profissionais da sua área conseguem. No meio das fofocas de sempre, das atualizações, haha, conversamos muito sobre a sua área de atuação: responsabilidade ambiental, sustentabilidade, organizações não governamentais... Eu estava junto aos seus colegas de trabalho, e depois de muito conversar, uma das suas colegas de trabalho diz pra mim: 'Engraçado... Você não parece nutricionista...'. E eu respondi 'Porque? Porque eu não fico só dizendo que uma barra de cereal tem 100 kcal?'. 'É...', ela respondeu.
E porque não seguir a área de serviço social, área de humanas... Todo mundo se pergunta.
Talvez porque a área de biológicas careça desse olhar integral, desse olhar humanístico.

Enfim, considerei a princípio o fato de não parecer uma pessoa oca um ponto positivo, fiquei realmente lisonjeada. Mas aí depois vem a bendita reflexão, dizendo que há algo de errado.
Entre as pessoas, já está instalada uma opinião (o tal do inconsciente coletivo) que já considera o nutricionista um profissional superficial, o que é uma questão lamentável. Afinal, lidamos com um tema muito complexo, o alimento, e temos por base uma formação generalista, que, a princípio, garantiria uma visão ampla de todos os temas que permeiam a relação homem-alimento-sociedade.
Mas aí você acha os textos de saúde pública chatos. Não sabe porque tem que estudar antropologia. Está fazendo nutrição porque teve preguiça pra estudar o suficiente pra fazer medicina. Ai, nutricionista, o que eu faço com você?

Esse tipo de coisa me desmotiva, porque eu vejo que as calouras que chegam só alimentam o ciclo de mediocridade que se instalou no curso de nutrição. E aí, acontece isso, a sumarização de conceitos empacotados. Pasteurizados. Os estudantes e profissionais estão pasteurizados, essa é a questão.

Mas aquela pequena chance de um em milhão, paradoxalmente, tem me movimentado a buscar aquilo que eu almejo. É possível, é real, eu posso chegar lá.

Aos mestres e profissionais, toda a minha admiração por terem conquistado um espaço no mercado e por serem um exemplo de compromisso e dedicação pela profissão. E aos amigos que lutam diariamente pelos sonhos tão iguais aos meus, amo vocês! E vamos à luta! 

domingo, 3 de julho de 2011

Somente belas e magras, por favor.

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Então.
Certas coisas no universo da nutrição me deixam muito desapontada. Às vezes, parece que estou no meio de um monte de cabeças vazias, defendendo uma ciência que nunca vai progredir e que nunca vai conquistar o status que merece, por ser constituída por profissionais que não querem estudar e não querem lutar por um espaço melhor.
Enfim.
Nestes últimos dias, ocorreu uma questão absurda no nosso mundinho. Foi aberta uma seleção de nutricionistas para trabalhar em um congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), em Fortaleza, e o anúncio pedia que as interessadas mandassem fotos e que tivessem manequim 36 ou 38.
A situação já foi melhor detalhada aqui no blog da nutricionista Neide Rego.
Pra que currículo? Pra que competência?
Além dessa situação ser ato explicitamente preconceituoso, ela emerge do lugar em que necessariamente não deveria existir. Quer dizer, isso vai contra a tudo o que defendemos. Nós defendemos que as pessoas tenham uma vida saudável, mas nunca escravizamos as pessoas à padrões de beleza. A números ideais. Defendemos qualidade de vida, e não pressões midiáticas.
Se ainda não ficou claro, gostaria de declarar explicitamente o meu repúdio à atitude da SBAN. É tão vergonhoso, que é melhor nem comentar mais nada.
Na verdade, há sim o que se comentar.
Quando você pensa que a sua profissão é constituída somente por copioterapeutas e profissionais que se tornaram nutricionistas porque tiveram preguiça de estudar o suficiente pra realizarem seu sonho de serem médicos... vemos que algumas pessoas não dormem no ponto.
E um dos focos de reação que está se estruturando é o Centro Acadêmico Emílio Ribas, da USP, que já vem articulando outras resistências, tais como a discussão sobre a regulamentação da propaganda de alimentos, especialmente no meio acadêmico. Eles escreveram uma carta manifesto falando a respeito do ocorrido, e aproveitaram para comentar do tão polêmico aspecto do apoio e patrocínio de indústrias de alimentos em eventos de nutrição.
Veja a carta aqui.
Uma decepção profunda... Mas com aquela impressão de que há uma luz no fim do túnel.

domingo, 24 de abril de 2011

"O SUS que não se vê", pela Revista Radis

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Na terça feira passada, estava na Fiocruz pra acompanhar um evento de Integração dos Estagiários. É, estou fazendo estágio no Instituto Fernandes Figueira, e estou muito feliz com as experiências que esta oportunidade está me proporcionando, de verdade.
O evento era no Auditório do Museu da Vida, mas como avistei a Biblioteca ao longe, resolvi dar uma fuçada por lá. Adoro bibliotecas, com aqueles corredores repletos de livros de todos os tipos e de todas as épocas. Confesso que me falta muita concentração para sentar e ler um livro mais técnico por longos períodos, mas eu me esforço. E só o ambiente me deixa feliz, com olhos arregalados pela curiosidade. 
Uma herança que tenho da minha época de estudante de Turismo (fiz curso técnico), e que acompanha a todo estudante que foi aluno da grande professora de museologia Vanilda Mandarino, é sair olhando todo e qualquer papelzinho que está a disposição. Na matéria dela, quem tinha mais folders e folhetos informativos, ganhava ponto extra, hehe. E numa dessas de olhar os papéis na recepção da biblioteca, peguei um bem útil, que vem com a definição de todas as bases de dados que encontramos na Bireme. E também estavam disponíveis exemplares da Radis, a revista da ENSP.
Nessa edição de número 104, ela se dedica a falar sobre alguns aspectos do SUS, pruncipalmente falando sobre o reconhecimento da população sobre as ações do SUS.
E se eu te perguntasse: você é usuário do SUS? 
Se você respondeu que não, porque tem plano de saúde, está redondamente enganado. 
Primeiro, porque você já tomou alguma vacina, e você não fez isso num consultório que aceita o seu plano. Foi no posto de saúde mesmo. E, mais que isso, o SUS está infiltrado em diversas ações de saúde que fazem parte do nosso dia a dia. 
Porém, geralmente quando pensamos em SUS, vemos logo pessoas em filas, morrendo por falta de atendimento. E quando há atendimento, ele é precário. Será que é assim mesmo?
Olha, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o SUS sofreu uma avaliação melhor das pessoas que o usam, do que pelas pessoas que declararam não usar esse serviço. 
Entre os que declararam ter tido alguma experiência com o SUS, 30,4% consideraram os serviços bons ou muito bons, enquanto, entre os que informaram nunca ter usado o SUS, o índice dos que avaliam os serviços como bons ou muito bons, cai para 19,2%. Por outro lado, os que consideram o SUS ruim ou muito ruim são em maior número entre os que informara nunca ter usado (34,3%) o sistema, do que entre os que disseram ter usado (27,6%).
Existem duas coisas interligadas nessa questão: a imprensa reforça a idéia de que, se você depender do SUS, você vai morrer na porta do hospital. Logo, ela te incentiva a procurar os serviços de saúde privados, que vão te dar mais 'segurança'. Até porque essas empresas, ganhando rios de dinheiro, fazem seus anúncios nas redes de comunicação, é tudo uma relação de troca. E com isso, cria-se o status do indivíduo que, felizmente, não precisa do SUS. É por isso que quem não usa o serviço é que o critica mais. 
A jornalista Conceição Lemes, especializada em Saúde, dá sua opinião pela ótica do profissional jornalista:
(...) Ela também considera que esta disseminada a cultura de que SUS é 'coisa de pobre' , o que faz com que o jornalista não se sinta parte do sistema  - "A própria mídia não tem interesse em que o SUS dê certo" - e com que as pessoas falem mal, sem conhecê-lo. Ela identifica que não se divulga quando usuários abastados recorrem ao SUS para procedimentos caros, não pagos por seus planos privados. "Os que se servem deste expediente têm vergonha".
É difícil o plano de saúde cobrir quimioterapia, transplantes e medicamentos pra HIV, não?
Pois é, e esses procedimentos não caem do céu. 
Temos muito o que comemorar pelo nossos sistema de saúde. Ele significa a concretização de um caminho democrático, que busca uma sociedade mais justa. Ele só precisa ser aprimorado, e reforçado em áreas ainda vulneráveis.
A Radis veio dedicada quase que exclusivamente a esse assunto, trazendo vários quadros explicativos sobre o assunto, então vou dar uma resumida:
- A cobertura vacinal do Brasil é uma referência mundial. A cada ano, vemos mais vacinas serem incorporadas ao Calendário Vacinal, proporcionando mais proteção aos grupos de risco, em especial as crianças. A varíola e a poliomelite foram erradicadas, e está a caminho o certificado de erradicação do sarampo. A rubéola foi a protagonista da maior campanha de vacinação realizada no Brasil, em 2008, obtendo cobertura vacinal de 96,5%.
- O tratamento da Aids é garantido pelo SUS gratuitamente, promovendo uma melhor qualidade de vida aos indivíduos HIV positivo.
- Nossos laboratórios públicos produzem 80% das vacinas e 30% dos medicamentos que são utilizados no SUS, significando a economia de recursos, um estímulo à produção científica e a formação de trabalhadores qualificados no país.
- A Vigilância Sanitária está presente em diversos aspectos de nossa vida, na fiscalização de alimentos, medicamentos, cosméticos, estabelecimentos comerciais... Uma lista infinita. E vale dizer que o trabalho da vigilância nos municípios precisa da sua ajuda. Se você ver algo errado, ligue pro serviço de vigilância da sua cidade e denuncie! A participação popular é mais que importante pra melhora dos serviços.
- Quanto aos transplantes, tenho que citar um trecho do texto:
Quando o "Fantástico" anunciou em abril de 2009, a estréia da série, Transplante, o dom da vida, apresentada pelo médico Dráuzio Varella, a produção do programa dominical da TV Globo informou em seu blog, que havial 50 mil brasileiros na fila de espera por um transplante. "Muitos morrerão enquanto aguardam. O objetivo dessa série é colaborar para que a fila ande mais depressa", alertava um dos textos de apresentação do quadro.
Apesar do alerta de que mesmo com um "bom seguro saúde e um patrimônio sólido" ninguém seria privilegiado, e da informação de que o sistema era informatizado "e fiscalizado pelos próprios pacientes que aguardam", os textos publicados no blog deixavam de mencionar o SUS e creditavam o aumento do número de doadores de órgãos à veiculação da série televisisva.
Na verdade, o que o Fantástico não divulgou - assim como a maioria das matérias publicadas sobre o assunto - é que o SUS mantém o Sistema Nacional de Transplantes, considerado um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. São 548 estabelecimentos de saúde e 1376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes em 25 estados do país.
 Nós que convivemos com o SUS de forma mais permanente, sabemos que ele sim funciona. E oferece bons serviços para a população. Não compare, por exemplo, uma assistência pré-natal feita pelo SUS e pelo plano de saúde, são procedimentos totalmente diferentes. Na minha opinião, na assistência privada, mal há procedimentos em si...
O que acontece é que a eficácia do SUS, pelo menos analisando o Grande Rio esbarra em uma complicação política grave. Nos últimos anos, vimos dezenas de municípios novos brotando por aí, somente para que os políticos possam ganhar um orçamento próprio. E aí, surgem cidades que mal tem um posto de saúde, e às vezes nem isso tem. Isso gera uma superlotação nos serviços da capital que é insustentável, porque a contribuição de impostos de uma pessoa que mora em Queimados, fica em Queimados. mas se ela vai no Hospital Salgado Filho, por exemplo, os impostos que pagam o seu funcionamento são dos contribuintes cariocas. Não há como sustentarmos a falta de estrutura alheia. Com isso, nenhuma das partes acaba sendo atendida com eficiência e integralidade.
É importante dizer que, nós últimos vinte anos, conquistamos muitas coisas, em especial na questão de estado nutricional da nossa população. Temos, porém, que estar vigilantes, porque as curvas de crescimento das nossas crianças estão felizmente bem alinhadas ao padrão estabelecido pela OMS, mas quando falamos de evolução de peso, nós já estamos ficando acima do normal. Ou seja, o excesso de peso nas crianças já está ficando evidente. São nesses pontos que nossos sistema de saúde tem que se aprimorar e se qualificar.
As atividades pontuais e básicas, como a imunização, são fundamentais e sempre terão sua importância, mas é hora de qualificar e aprimorar a nossa assistência. Nosso olhar deve ser mais criterioso, e devemos estar mais atentos a questões que podem estar determinando um melhor ou pior estado de saúde da população. Temos que fortalecer a educação em saúde, e dar instrumentos para que os usuários zelem por sua saúde.
Ainda falta muito para chegarmos no nosso ideal, mas não podemos desmerecer as conquistas. Elas são o estímulo para que possamos continuar. E essa luta tem que partir dos profissionais de saúde, que tendem a se acomodar pelas dificuldades e problemas de estrutura e de gestão.
Se você escolheu se dedicar à saúde, saiba que não lhe é permitido desistir!